sábado, 12 de outubro de 2013

DIA 1 - NEW ORLEANS - VICKSBURG - 420 KM RODADOS

E lá se foi o primeiro dia. Saímos de New Orleans mais cedo do que o previsto, levantamos cedo e fomos direto pra Eagle Rider pegar as motos. Por volta das 12 horas já estávamos na estrada cumprindo o roteiro programado.

Basicamente, foram três tiros de cerca de 80 milhas, o primeiro de NOLA até Baton Rouge, o segundo de Baton Rouge a Natchez, e finalmente de Natchez a Vicksburg. Os dois primeiros trechos com muito sol, tempo abafado, muito calor. A saída de New Orleans meio tensa, como de costume, até todo mundo se habituar com as motos. No começo dessa primeira etapa rodamos por muito tempo por uma espécie de estrada elevada, por cima de pântanos e lagos. As fotos a seguir dão uma boa ideia do que estou falando, é realmente curioso imaginar a construção da rodovia.



Por boa parte do trajeto até Natchez, após deixarmos os pântanos pra trás, a paisagem é composta por extensas áreas de cultivo de algodão. Várias dessas fazendas são abertas a visitação e constituem atrações turísticas do roteiro.

Na hora do almoço, como sempre, Montanha já tava ficando estressado por causa da fome. Deixar o Montanha sem comer é um perigo!!!!! Quicamos em alguns fast foods que não agradaram, até encontrar, como sempre, um lugar ao acaso que era tremendamente bom: um restaurante inaugurado em 1924 e até hoje em funcionamento especializado em frutos do mar e steaks. O problema do Montanha estava, portanto, resolvido.


Finalmente, no último trecho, o céu desabou sobre nossas cabeças e dê-lhe água pra testar a eficiência das roupas, botas e luvas a prova d'agua. Chegamos em Viscksburg no final da tarde e rodamos pela cidade, mas não achamos grande coisa. Segundo Montanha, parece cenário de filme de zumbi, meio deserto e abandonado. Talvez tenha a ver com a chuva que ainda caia, mas voltamos pra beira da Route 61 e achamos um hotel estrategicamente localizado ao lado de um Supermercado pra facilitar as compras do dia (cerveja, Jack Daniels, Jerked Beef, enfim, o essencial!) :-)

Amanhã será um dia bacana, rodamos menos porque temos muito o que ver em Clarksdale, incluindo aí o clube de blues do Morgan Freeman e a famosa encruzilhada onde Robert Johnson vendeu a alma pra Capiroto. O dia promete


RITUAL DE INICIAÇÃO DO FRANGOLINO


E o Frangola sobreviveu!!!!!!! E o melhor de tudo, está FELIZ!!!!!


Como previsto, o ritual transcorreu sem anomalias, de uma maneira altamente espiritualizada, praticamente um culto ao amor e à paz na humanidade. Começou com a consagração do líquido sagrado, como pode ser visto na foto ao lado.





Prosseguiu com a emanação de cânticos e mantras coordenada pelos sacerdotes Rodrigão e Allan, devidamente paramentados e usando seus turbantes emanadores de boas energias. Tudo visando o bem estar do ente a ser batizado.

Pela cara de felicidade do "batizando" percebe-se que a alegria e o amor tomavam conta do ambiente e proporcionavam momentos ímpares de harmonia.




Nesta foto, observa-se a fase final do batismo (infelizmente, por motivos inerentes à manutenção do sigilo para não iniciados, as partes ocorridas DURANTE o ritual não podem ser mostradas neste blog), quando o ex-calouro, prestes a se tornar APV (infelizmente, as siglas também não podem ter seu significado revelado...), recebe das mãos dos sacerdotes o drink do inferno, com conteúdo desconhecido, e, com os olhos vendados, manda tudo pra dentro, em uma prova inquestionável da confiança nos demais membros, ops, quer dizer, integrantes do grupo. Ainda, percebe-se no pescoço do iniciado o colar de iniciação. Este colar foi usado ontem durante TODA A NOITE e a partir de hoje, o APV fica livre do seu uso, entretanto, deverá zelar pelo cuidado e integridade da peça, já que, a qualquer momento e por qualquer motivo, qualquer PV pode solicitar que o APV faça uso do colar e, caso isso ocorra, o comando deve ser obedecido prontamente. O colar fica sob a guarda do APV até que outro calouro venha a passar pelo ritual de iniciação, oportunidade em que o colar será transferido de guarda. Mas isso ainda demora pra acontecer... até lá, Frangolino e seu colar são inseparáveis!!!!

 Por fim, o brinde final, com Frangolino expressando na face um ar angelical de quem passou por uma experiência com os membros, ops, quer dizer, com os integrantes do grupo, que jamais será esquecida!!!!! :-)

A sequencia da noite foi de Bourbon Street. New Orleans é sui generis. Essa tal dessa rua definitivamente não é pra amadores. Gente, muita gente, circulando pelas oito ou dez quadras da Bourbon, de maneira democráica (famílias, bêbados, bacheloretes e velhinhos) zanzando pra lá e pra cá entre um bar e outro curtindo bandas e mais bandas. Quando estive aqui pela última vez, há uns 10 anos atrás, havia um bar no final da Bourbon onde se apresentava o Big Al Carlson, também conhecido como frogman. Um negão gigantesco, pra cima e principalmente pros lados, que cantava pkct e tinha um fabuloso senso de humor, mexendo com todo mundo enquanto cantava. Pois não é que o Frogman continua vivo? Cantando como sempre, grande como nunca, mas lá, firme e forte. Perfeito pra fechar a noite da iniciação e ir fazer naninha na expectativa de pegar as motos e cair na estrada.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ROUTE 61 - DIA 0 - COMEÇOU!!!!!!!

Finalmente, depois de muita espera (parecia que chegaria o Natal mas não chegaria o 11 de outubro), aqui estamos nós em New Orleans. Já dá pra dizer que a viagem começou, embora a gente só vá pegar as motos amanhã. New Orleans é um dos pontos altos da viagem, com o "bar hooping" da Bourbon Street, com uma banda melhor que a outra à medida em que a noite avança e o som começa a rolar, sermpre ao vivo e com bandas da melhor qualidade, que tocam por trocados e amor à arte.

Para facilitar a compreensão dos posts que virão pelos nossos três ou quatro leitores, apenas algumas informações de contexto: já há vários anos, temos um grupo de amigos que vê nas motos e nas viagens em lugares inusitados a possibilidade de, ainda que por pouco tempo, gastar o dinheiro da terapia com coisa mais bacana e celebrar algumas das coisas boas da vida, como conhecer novos lugares e gente interessante e, principalmente, a amizade verdadeira, que no fim das contas, é o principal ingrediente que nos une. Estamos aqui em quatro caras (Eu, Rodrigão, Barbalho e Montanha), que têm compartilhado várias dessas viagens e histórias, e mais um "calouro", o Cesar, também conhecido por Frangolino (apelido decorrente do fato que o animalzinho só come carne de frango...). Todo esse prolegômeno foi necessário porque o tema principal do posto de hoje (e provavelmente parte do de amanhã) está em torno do ritual de batismo do Frangolino. Sim, é óbvio que quando nos reunimos, viramos todos um bando de crianças grandes. E como tal, não dá pra imaginar que um calouro seria admitido ao grupo sem um ritual de batismo ou iniciação à altura!!!!! :-)

Mas vamos ao que interessa. Chegamos no final da manhã, passamos no hotel só pra deixar as malas e passamos uma parte da tarde no Grand Isle, restaurante de frutos do mar onde nadamos em alguns copos de cerveja (seria obsceno contar quantos...), mas sem shots que é pra não estragar a noite. Além disso, o lugar serve ostra de tudo quanto jeito. O melhor ficou por conta de umas ostras defumadas fritas, uma iguaria única e boa pra kct. Pra fechar, Po-Boys pra todo mundo, um sanduiche típico de new orleans servido no pão frances e com recheio variado (alguns com camarão, alguns com peixe e alguns com.... linguiça artesanal de crocodilo).

Agora, após o soninho da tarde, estamos em preparação para o batismo. Será um ritual de intensa espiritualidade, onde o calouro será recebido nos braços do grupo a partir de um ritual bonito, singelo e que seguramente não vai doer nada. Bom, pelo menos, esperamos que não doa muito.... Amanhã, se o calouro sobreviver à iniciação (e nós também), contamos detalhes (pelo menos os que puderem ser compartilhados... hehehehehe). Por hora, o segredo é a chave do sucesso.... ;-)


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ROUTE 61 - ROTEIRO DIÁRIO - DIAS 5, 6 e 7

Partindo de Nashville começaremos a subir rumo ao Norte. No dia 5, vamos em direção a Cape Girardeau seguindo para St Louis, em um trajeto de 513 KM. De lá, no dia 6, continuamos subindo para Davenport em mais 391 KM, e no último dia, desviamos da Rota 61 indo até Milwaukee para uma visita à fábrica da Harley Davidson e seu museu, com chegada a Chicago no final do dia, após 496 KM rodados. Esse será o fechamento do trajeto, após quase 2.700 km rodados nos sete dias de viagem. E aí, será o momento de começar a programar a próxima viagem..
DIA 5
DIA 6
DIA 7

ROUTE 61 - ROTEIRO DIÁRIO - DIA 4













DIA 4 - O quarto dia será longo, provavelmente o dia mais longo da viagem, com 544 KM de estrada. Deixaremos Memphis rodando pela Music Highway (Interstate 40), conhecida como a "casa" de músicos como Muddy Waters, Elvis Presley e B.B.King, além de músicos de tempos mais recentes como Justin Timberlake e Kings of Leon. Tomaremos o rumo de Nashville, mas com um desvio de rota de cerca de 100 km com um propósito nobre: visitar a fábrica do companheiro de estrada, Jack Daniels. A fábrica e o visitors center fica nos arredores de Lynchburg. De lá tomamos o rumo de Nashville, a capital da música country, onde fica o Country Music Hall of Fame e a Broadway mais famosa depois da que existe em Manhattan, onde ficam vários clubes e bares de música ao vivo. O desafio do dia, bem, já está ficando repetitivo, mas mais uma vez vai ser o calouro ser aprovado na lição 78 do curso de macho, que trata dos shots a serem tomados em uma viagem de moto, notadamente o artigo terceiro, inciso vigésimo oitavo, que trata da situação na eventualidade de visita à casa de Jack.



ROUTE 61 - ROTEIRO DIÁRIO - DIA 3

DIA 3 - And here we go the the land of the KING. O terceiroBar Hooping na Beale Street, a "rua do Blues" com bares tocando música ao vivo um ao lado do outro e onde todos são convidados a entrar na faixa, tomar uma cerveja e assistir um pedaço do show, antes de se mudar para o próximo bar e assim sucessivamente. Por fim, o merecido descanso e recuperação pra o dia seguinte (sem ressaca, esperamos), hospedados no Heartbreak Hotel, vizinho à Graceland e batizado, evidentemente, homenagem a uma das canções mais famosas de Elvis. A torcida, neste dia, é para que o calouro devorador de frango tenha estudado direitinho a parte do curso de macho intensivo pelo qual ele vai passar pra ver se sobrevive à viagem que fala sobre "hábitos alimentares em viagens de moto" e sobreviva à quantidade industrial de carne vermelha que será ingerida...
dia prevê apenas 125 KM de estrada, mas é por uma boa razão. Chegaremos à Memphis, terra de Elvis Presley, e a todo o parque temático montado na cidade em torno da história da vida e da obra do Rei, o que demanda tempo para visitação. A principal atração é Graceland, a mansão onde Elvis viveu e que foi convertida em museu. Mas nem só de Elvis vive Memphis. Lá visitaremos o Sun Studio, o estúdio onde Elvis e Johnny Cash gravaram suas princiais composições; na mesma linha, o Stax Museum of American Soul Music conta parte da história da música americana do século passado e  tem seu nome inspirador em um selo pelo qual gravaram Otis Reeding, Staple Singers e Isaac Heyes, entre outros. Memphis também é a terra do barbecue e é a casa do Rendezvous Charcoal Ribs, uma barbecue house elogiada por personalidades como Bono Vox e outros menos cotados. O dia provavelmente terminará na com um

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ROUTE 61 - ROTEIRO DIÁRIO - DIA 2

DIA 2 - O segundo dia parte de Vicksburg rumo a Clarksdale, num trecho curto de 230 KM. Nessa etapa, passaremos por Merigold, um ponto perdido no mapa on fica o Po Monkey's, um lugar surreal sem sinalização, endereço ou indicação, mas que é um verdadeiro templo dedicado a colecionar memorabília e contar a história da música e de tudo que acontece naquela região. Os visitantes são recebidos por Willie Seaberry, ou o Po Monkey's em pessoa. De lá, continuaremos subindo e chegaremos à cidade conhecida como uma das mais relevantes para a história do Blues. É lá que fica a Old Commissary, uma fazenda histórica de algodão que recebe os visitantes para conhecerem a sua história e como ela se entrelaça com a música e os músicos nascidos no Delta do Mississipi; é lá que visitaremos o Delta Blues Museum, cujo nome é auto-explicativo; é lá que comeremos comida típica da região no Madidi, restaurante que pertence ao ator Morgan Freeman ou no Hicks Variety Foods, uma casa aparentemente normal mas onde qualquer um pode entrar sem bater e encomendar uma dúzia de hot tamales por 8 dólares. Também é em Clarksdale que tomaremos uma ou duas no Ground Zero Blues Club, um clube de blues de raiz que também pertence ao Morgan Freeman (e, dizem, onde ele com frequência também toma uma ou duas) e, finalmente, é em Clarksdale que gastaremos o cartão de memória das máquinas fotografando a encruzilhada mais famosa do Blues (e provavelmente da música em geral). Foi nos arredores de Clarksdale, no cruzamento da Route 61 com a Route 49, que segundo a lenda Robert Johnson vendeu a alma ao diabo para tornar-se um mestre do Blues. Nesse dia, a torcida será para que o calouro resista às fortes emoções e que imaginar o capiroto na encruzilhada negociando a alma do Rob Johnson não seja emoção demais para o seu fraco coraçãozinho...